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cidadeagar

UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA

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UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA

ENTREVISTA AO DIARIO DO SUL

30.03.09, José Rocha

 

A Câmara Municipal de Viana do Alentejo é presidida por Estêvão Machado Pereira, natural daquela Vila; 42 anos de idade; possuidor de um Mestrado em Psicologia; divorciado e pai de duas raparigas: Inês e Leonor de 13 anos e de seis meses, respectivamente.

Está a concluir o 4º mandato na Autarquia e o pouco tempo de lazer que dispõe é preenchido com actividade desportiva: uma partida de ténis ou um jogo de futsal com os amigos.

A entrevista decorreu em Viana durante um almoço no Restaurante A CAVE.

O senhor está a terminar o 4º mandato como Presidente da Câmara. Como pode caracterizar o concelho face ao que encontrou ao princípio e o que agora se observa.

 

"Hoje o cenário do concelho, em múltiplos aspectos não é fácil de comparar com o que eu e a minha equipa encontrámos há cerca de 16 anos quando tomámos a liderança dos destinos da autarquia. Praticamente mudou em tudo. Faço parte de uma geração em que infelizmente cresci (com os meus amigos) a queixarmo-nos daquilo que não tínhamos.

De maneira que a primeira tarefa assumida há muitos anos foi a de tentarmos transformar e materializar algumas das ideias com as quais crescemos, mas a que nunca tivemos acesso. E sabíamos que outros concelhos por esse distrito, e pelo país tinham. E em todas as frentes, no panorama económico, no ambiente, na criação de equipamentos colectivos (as piscinas, os pavilhões desportivos, salas de espectáculos), a forma como procuramos criar condições nas múltiplas vertentes do movimento associativo (cultura, desporto e recreio, juventude e 3ª idade); em todas as frentes, dizia, a Câmara Municipal criou condições para que elas pudessem surgir. Condições dignas e sólidas para poderem defender os seus interesses. Perante um dilema colocado em dois sentidos: ou a Câmara faz ou a Câmara cria condições para fazer; nós na esmagadora maioria das ocasiões optámos por criar condições para ajudarmos a fazer. Colocámos os meios da autarquia, os meios que são de todos nós, ao serviço de um conjunto muito alargado de centenas de pessoas que hoje são líderes de todas estas áreas do movimento associativo e que nós assumimos como uma das áreas prioritárias do Alentejo.

Compararmos o que existia e agora se vê não é muito fácil, porque as mudanças foram muitas. Podemos dizer que nestes dezasseis anos nós mudámos quase tudo".

E será nessa óptica de querer que o concelho progrida ainda mais que o senhor e a sua equipa vão recandidatar-se?

"A minha equipa nesta altura já tem projectos estruturantes de grande dimensão, (alguns colocados, outros a ir muito brevemente para o terreno) que vão extravasar o período cronológico deste mandato e certamente vão passar para o mandato futuro. Independentemente disso, a questão das candidaturas, ou recandidaturas às próximas eleições autárquicas é uma questão que ainda está a ser discutida internamente no meu partido; a quem já coloquei essa situação. Estou, como sempre estive, disponível para aquilo que for entendido que eu deva fazer. Eu tenho desempenhado nestes últimos anos o lugar de presidente. Mas hoje tal como no passado, e certamente no futuro, as pessoas que comigo fazem parte desta grande equipa avaliam e tomam decisões. Se for entendido que eu sou a pessoa que melhor pode protagonizar essa continuidade provavelmente será esse o caminho, se for entendido pela equipa que um outro camarada poderá estar em melhores condições do que eu, lá estarei na linha da frente para o ajudar".

Nesta série de entrevistas aqui neste jornal, os seus colegas autarcas levantaram questões acerca da interioridade. Ou seja: há uma percepção de que o litoral é favorecido em detrimento das zonas do interior. O senhor presidente comunga dessa opinião?

 

"Comungo totalmente essa opinião. Desde que li o livro de Saramago (A Jangada de Pedra) achei que se não tivéssemos uma fronteira terrestre tão sólida com Espanha, o peso excessivo da população no litoral já tinha feito com que Portugal tombasse para dentro de água!

Assumir que o eixo do desenvolvimento que vai de Vendas Novas, Montemor, Évora até Elvas ao longo da auto-estrada deve ser um eixo de desenvolvimento prioritário, parece-me na minha concepção, demasiado redutor. Acho que esse eixo é importante….

Começa em Sines

O eixo do "corredor azul" poderá ser um grande motivo de desenvolvimento, tal como este do Alqueva. O que não pode acontecer, e está a acontecer é o quase ignorar por completo as outras franjas do distrito que não estão "pendurados" nem no projecto do "corredor azul" nem no do Alqueva. Viana do Alentejo está no meio; o "corredor" passa-nos a Norte, o Alqueva está a nascente, Sines está do outro lado. É assim que se trata um concelho como este. Como é possível ouvirmos como eu ouvi o Presidente da Federação Distrital do PS a dizer que "Viana tem de decidir afinal o que quer. Está fora do "corredor, está fora do Alqueva, está fora dos grandes eixos envolventes; afinal onde é que vocês querem estar?".

Como se fosse por opção própria que Viana está fora disto; quando não é. Em sede da discussão do Plano Regional de Ordenamento do Território na Associação de Municípios, na CCDRA em todos os fóruns onde temos participado Viana tem-se manifestado contra este PROT, e sempre dissemos, ao persistirem neste projecto de Ordenamento/Desenvolvimento "vocês estão a cavar as assimetrias, estão a apostar em eixos de desenvolvimento (onde já existe algum) e estão a ignorar aqueles que se já estão mais atrasados, deveriam merecer uma maior atenção. Viana encontra-se no centro de alguma coisa que está a acontecer à sua volta".

Exactamente. Mas isso é outra questão; o que supostamente começa em Sines; mas se vir bem todo o traçado que seria recomendado era "se" começasse em Sines deveria inflectir algures no percurso para atravessar o concelho de Viana do Alentejo. Estou a referir-me ao IC33 (ao famigerado IC33) que afinal de contas passam anos e anos e nunca mais sai do papel, se é que no papel já está concluído. Um dia destes ouvi declarações do meu colega José Ernesto de Oliveira, onde a propósito do IP8, do anunciado lançamento do IP8 dizia "que é um excelente traçado e que resolve muito bem a ligação entre Sines e Évora". Não consigo compreender.

Assumir que um camião parte de Sines faz o IP8 (e ainda por cima com troços abrangidos por portagens) vai até Beja, daí percorre o IP2 e vai até Évora; assumir que esta é uma excelente ligação, ignorando ou procurando ignorar completamente que o IC33 é o projecto estruturante para esta zona, e que melhor serve as ligações rodoviárias Sines/Évora, e depois em direcção à fronteira espanhola, parece-me um bocadinho desajustado da realidade. Até porque já estive em reuniões com o meu colega José Ernesto e outros autarcas onde ficou claramente apontado em que esta devia ser a principal via rodoviária.

Infelizmente, digo eu, os principais investimentos são feitos no litoral, os principais pesos demográficos estão no litoral, os grandes projectos para lá são apontados, e assiste-se a isso cada vez mais. Este país que já é muito assimétrico (de acordo com os indicadores de projecção) irá sê-lo muito mais.

Já agora deixe-me dizer-lhe outra coisa: mesmo no interior da nossa região, (o Alentejo, ou pelo menos o distrito de Évora), tenho o receio de algumas medidas que estão a ser apontadas se possam também acentuar. Para ir em concreto a este "desenho" (administrativo ou de desenvolvimento) que na minha opinião está a ser feito a partir de alguns gabinetes de Lisboa e a ser implementado no Alentejo. Por exemplo: o projecto do "corredor azul".

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