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cidadeagar

UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA

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UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA

ENTREVISTA AO DIARIO DO SUL 2

30.03.09, José Rocha

Quanto a estruturas implantadas aqui no concelho. Estamos a falar a nível da indústria e serviços.

"Os serviços são a área que mais tem crescido no privado nos últimos anos. Ainda assim a vila de Viana e Alcáçovas têm alguma experiencia em termos industriais. Em Viana são mais tradicionais, nomeadamente na metalo-mecânica (duas fábricas de carroçarias para camiões) que fornecem todo o mercado nacional e nalguns casos até estão a exportar para vários países, nomeadamente para os PALOP. Com toda esta crise que estamos a sentir, particularmente a crise automóvel, estas unidades também estão a sentir isso. Portanto há problemas reais.

Em Alcáçovas estamos a assistir a alguns projectos muito interessantes, porque entroncam naquilo que é mais tradicional, e porque o sucesso empresarial ainda assim tem sido possível alcançar. Estou a pensar em dois casos: o projecto de doçaria que já vem de há alguns anos. Na altura havia algumas pessoas que faziam doces, mas de uma forma muito caseira, muito artesanal. Hoje temos três ou quatro empresas que fazem doces, uma delas com mais de 20 funcionários. Cerca de 100% de mão-de-obra feminina que é uma das áreas onde temos mais dificuldades.

Um outro projecto que também é muito relevante tem a ver com a transformação da massa de pimentão. Estamos a falar de um concelho agrícola e onde os produtos originais da terra têm de ter uma atenção particular. É uma unidade que praticamente compra tudo aquilo que se produz no concelho e com recursos a tecnologia muito avançada e o apoio de mão-de-obra local transforma toda a massa de pimentão e exporta também para o mercado nacional. Nomeadamente para os Açores e Madeira

Também aqui em Viana uma empresa ligada à área dos lubrificantes tem vindo ano após ano a sentir um crescimento muito importante e cuja área de abrangência é já todo o sul do país.

Na plataforma de serviços e a nível das IPSS temos sentido nos últimos anos uma procura muito importante. Particularmente a partir das Misericórdias, e com a reconstrução de diversos lares, nalguns casos com a construção de raiz. Ampliou-se o apoio domiciliário, o estender de um tipo de ofertas sociais às populações mais idosas e carenciadas.

Em termos de serviços públicos as coisas na generalidade vão bem. Mas na área escolar que é da responsabilidade camarária necessitamos de avançar com um Centro novo. Em Alcáçovas temos uma escola nova, em Aguiar com alguns melhoramentos, tanto na EB1 como no Jardim de Infância conseguimos dar uma resposta eficaz. Viana é um caso diferente; temos edifícios antigos e por isso o novo Centro (de que já falei) irá ter três salas para infantário e oito salas de 1º Ciclo.

Aludindo a outros serviços existem dois que terei de referir negativamente: primeiramente as Conservatórias do registo civil e predial. Só vendo se compreenderá como estão: escadas de madeira envelhecida e um hall de entrada com dois metros quadrados onde três pessoas ocupam todo o espaço. Assim como não existem condições para quem lá trabalha. E mais: somos o único concelho do distrito que não está a emitir o Cartão do Cidadão! Não há espaço para os equipamentos. As nossas reclamações tem sido anotadas, mas o tempo passa e ninguém nos responde.

A outra área é a da saúde. Durante muitos anos esperamos por um novo Centro; hoje já o temos, embora não sendo o que deveria de ser. O que está a funcionar nas novas instalações é sensivelmente metade daquilo que foi projectado. Quando olhamos para o edifício metade está a ser usada e o outra parte está fechada e por acabar. A outra questão tem a ver com as consultas; pessoas que vão para lá de madrugada na expectativa do médico; lá paras as duas, 3 ou 4 da tarde termina o seu ficheiro de doentes e se o entender pode ter condições para consultar alguma situação "não programada". Mas a maior parte das vezes isso não acontece".

Aqui no seu concelho também houve "sangria" nos habitantes. Consultando os quadros do apuramento do censo verificamos existirem 5639 residentes, isto é o registo de 2004.

"O concelho de Viana há várias dezenas de anos que tem vindo continuamente a perder população. Mas se compararmos esses números com os intercalares que refere, nós estamos globalmente a ganhar alguma coisa. Ainda que a recuperação seja pouco significativa; na Vila pelo menos, regista-se uma tendência para travar essa sangria. É um indicador que à partida nos parece positivo. Olhando freguesia a freguesia conseguimos perceber que Alcáçovas é a que está em situação mais delicada, enquanto Viana já apresenta alguns números animadores e Aguiar já tem igualmente as setas a inverter".

O senhor tem referido bastas vezes a freguesia das Alcáçovas que é a maior do concelho, e a que parece mais dinamizada.

"Em termos de território é mais de dois terços do concelho. É uma freguesia muito grande e com um peso específico muito importante. Mas como lhe disse anteriormente tem uma baixa populacional de que não recupera.

Mas a nossa filosofia é desenvolver cada uma das freguesias por si e criar condições em cada uma delas para que as pessoas que aí nasceram e vivem tenham os mesmos direitos, por igual em relação às outras. E reportando-me ao que disse acerca da criação de equipamentos colectivos nós temos demonstrado isto, ou seja: Viana é sede de concelho mas a Câmara tem procurado criar nas outras freguesias certos equipamentos. Julgamos que os habitantes têm direito a estar e acreditamos que se esvaziarmos essas terras de um conjunto de equipamentos (escolas, pavilhões, por exemplo) estamos a contribuir para as aniquilar. Não queremos fazer isso".

A freguesia das Alcáçovas é detentora de uma imagem histórica importantíssima. Ali esteve a Corte, ali se assinou um tratado. Viana tem o Castelo, a Igreja Matriz e esse ex-líbris que é o Santuário da Senhora d Aires. Mas voltando a Alcáçovas. A última vez que lá estive chocou-me o estado de conservação em que estava o Palácio, praticamente a cair aos bocados. Como vai então por aqui o património?

"O cenário que encontrou em relação ao Palácio das Alcáçovas poderei dizer-lhe que está um bocadinho pior. De qualquer forma alguns sinais no presente nos levam a ter algum tipo de esperança. Houve abordagens com o Ministério da Cultura e parece-me que nesta altura, e de forma dita haver alguma vontade de colaborar connosco e procurar encontrar soluções para a recuperação do edifício. Localmente a Câmara e a Junta de Freguesia das Alcáçovas, a Associação Terras Dentro e a Associação dos Amigos das Alcáçovas desenvolveram um programa de intervenção consensualizado entre todos para apresentar ao Ministério da Cultura. O que nos foi dito? Se o programa de intervenção for coerente, vamos tentar criar condições e depois poderá criar-se por exemplo uma associação para gestão do imóvel.

O restante património é classificado, exceptuando o Santuário que está em processo de classificação. Quanto ao Castelo fizemos uma proposta ao IPPAR (hoje IGESPAR) que constava da Câmara, a troco de alguma manutenção e abertura do monumento poder instalar numa das salas o Posto de Turismo. A proposta foi liminarmente recusada. Assim o Posto está hoje a cerca de 50 metros do Castelo. Ou seja quando propomos acções para os monumentos estarem visitáveis as respostas são sempre negativas. Isto no passado.

No presente temos sinais para as coisas serem diferentes.

A Senhora D Aires está sob a responsabilidade da Paróquia de Viana, e a esse nível, na conservação do património a articulação tem sido excelente. A Câmara em colaboração com a Paróquia tem conseguido conceder apoios financeiros para trabalhos de recuperação, para a iluminação artística dos monumentos, enfim aquilo que os nossos meios permitem. Mas as disponibilidades são excelentes e constantes".

Em termos turísticos gostávamos de saber como é. Sabe-se que por vezes as localidades não são visitadas por um período mais longo devido à falta de estruturas de acolhimento. Aqui no concelho de Viana parece que se avançou em positivo.

"Avançou bastante, e na minha opinião de forma insuficiente. O conjunto de actividades, de eventos das nossas terras, trazem muitas mais pessoas até nos, das que nós temos capacidade em acolher. De qualquer forma tivemos um aumento muito interessante em unidades de grande qualidade: a Casa de Viana, a Herdade da Samarra, o Monte do Sobral, a Casa de Santos Murteira, e um outro conjunto de novas unidades em Alcáçovas já operacionais.

Sou de opinião que podíamos ter mais ainda. É muito bom o que temos mas creio existir ainda margem de manobra para desenvolver esta área de hotelaria".

 

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