UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA
Sábado, 9 de Agosto de 2008
TERMAS DA GANHOTEIRA


[Um antigo quartel de aquista]

 

Época termal
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Indicações

Doenças de pele, reumatismo

Tratamentos/ caracterização de utentes

Actualmente esta água é recolhida e utilizada em banhos ao domicílio

 

Instalações/ património construído e ambiental

É visível toda a caleira de escoamento de águas da mina, cerca 200 m antes de chegar à zona construída, uma sucessão de pequenos “vulcões”, do qual um ainda se encontra aberto com poço de grande profundidade (“cuidado não caia lado dentro, ninguém sabe a profundidade daquilo” [informante 2]). O último dos “vulcões” é o poço donde se retiravam as águas por bombagem. Está bastante obstruído por terras arenosas, embora ainda tenha água. À sua volta encontra-se a cobertura de três furos feitos nos anos 1990, quando a JF de S. Bartolomeu do Outeiro tentou reactivar as termas. Esta sucessão de “vulcões” continua no outro lado da ribeira, na Herdade da Casqueira, onde também houve instalações termais, prolongando-se até ao Sobral da Mina. Da parte construída actualmente existem ruínas do grande depósito de água; da caldeira de aquecimento da água onde mal se apercebe o forno da lenha; e o balneário, com sala central, do lado esquerdo, numa construção com 12 quartos de banho, sendo 6 de cada lado; cada um teve a sua banheira em pedra, das quais restam algumas. Do lado esquerdo, dois tanques separados por paredes, aos quais se sucedem dois quartos que deveriam servir de vestiários – deveriam corresponder aos banhos masculinos e femininos de doentes chaguentos – muito provavelmente com água que teria servido para os banhos individuais. Separada deste por um antigo “jardim” termal está, a cerca 50 m para jusante da ribeira, a antiga venda/tasca, com sala central correspondente ao local da loja e 4 quartos anexos, sendo um deles cozinha. Ao lado desta construção uma chaminé coberta para churrascos, e por detrás o que seria um grande estábulo. Estes dois núcleos (estábulo e churrascos) parecem ser as construções mais recentes, talvez anos 1950. A cerca de 100 m, numa pequena elevação, encontra-se a hospedaria, também com dois períodos de construção, a primeira com os 15 quartos descritos em 1893, e outros 15 acrescentados nos anos 40. É uma construção rectangular, onde as duas fachadas compridas de 40 m formam duas alas de quartos, com as suas portas e janelas. Com uma largura de 8 m, cada módulo de quarto tem 4x3 m; é curiosa a sua divisão interna, onde estes módulos formam 3 “apartamentos” com quarto e cozinha, 2 “apartamentos” com dois quartos, e 8 quartos com cozinha (ou seja, com chaminé); dois deles comunicam, formando em caso de necessidade a “suite”; 6 quartos ainda com as dimensões deste módulo e 6 quartos de 2x2 m nas extremidades da construção (3 de cada lado). Há na disposição das construções, no seu jardim termal, bastantes semelhanças com a Fadagosa do Pereiro (Marvão); embora sejam mais modestas, seguiram o exemplo dessas termas.

 

Natureza

Sulfatada (ambiente metalífero, Calado 1992). Em relação às vizinhas águas da Casqueira é dito que são hipossalinas ferruginosas (Acciaiuoli e Contreiras). Mas esta também parece ser uma água muito ferruginosa, formando uma nata vermelha à superfície.    

 

Alvará de concessão

Diário do Governo, nº249 de 3/11/1893 - Alvará de concessão. Declaradas abandonadas em 1960

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Historial

As primeiras descrições de utilização da água são feitas por Rolo (1893), que referiu que depois da descoberta a água na vizinha herdade da Casqueira, em 1860, os trabalhadores desta herdade da Ganhoteira começaram a utilizar uma água não potável, que nascia da galeria de exploração mineira de pirites de ferro, já exploradas pelos romanos, e recolhidas num poço de 9,20 m de fundo por 3,45m de secção, que vem para o exterior por canalização a cerca de três metros de profundidade do poço, ou extraída por bombagem. No local existia uma casa com 15 quartos onde se alojavam os aquistas, tendo o balneário 12 tinas, 6 para banhos frios (18º) e as outras 6 para banhos quentes; os doentes chaguentos banhavam-se em estabelecimento especial (Rolo 1893). Em 1912 tudo estava em ruínas, houve reclamações para renovação do balneário mas o concessionário não teve posses para os trabalhos. Em 1939 era concessionário Carlos Maria Eugénio de Almeida, herdeiro da concessão de 1893, não tinha área demarcada sendo “irregular a exploração da nascente, pagando o arrendatário uma renda anual de 120 galinhas” (Acciaiuoli 1944.). A situação era idêntica em 1947, sendo agora concessionários os herdeiros do citado e a água extraída por bomba e aquecida em caldeirão. Existe uma confusão entre as herdades da Casqueira e da Ganhoteira: a separá-las existe uma ribeira e ambas aproveitam águas de exploração mineira, de minérios de ferro e cobre. Autores como Acciaiuoli e Contreiras atribuem-lhe naturezas e qualidades terapêuticas diferentes. Há mesmo uma história diferente para cada um dos locais termais, mas tudo se passa junto à mesma ribeira, a uma distância de 300 m. Da Casqueira já nada existe de património construído, segundo o informante 2, que não se lembra de alguma vez ter existido balneário. O auge da frequência destas termas deve ter ocorrido nos anos 1940, para vir a decair na década seguinte, até ao abandono total. Manuel António Irio lembra-se “ainda gaiato, dos quartos ali não chegarem para toda a gente que vinha a banhos, acampavam aqui debaixo dos sobreiros, com barracas feitas de paus e sacas”. Em 1983 realizou-se uma reunião na qual intervieram as Câmaras de Portel e Évora, a então chamada Comissão Coordenadora Regional e a fundação Eugénio de Almeida, proprietária das termas, tendo sido decidido constituir um grupo de trabalho para estudar todas as questões relacionadas com as termas. Ao que parece, até hoje nada foi feito. Sabemos que a partir de 1995 o executivo da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu do Outeiro apostou na recuperação das termas. Por impulso do então presidente Abílio José Veiga, foram abertos 3 furos junto do poço e a Fundação Eugénio de Almeida comprometeu-se a ceder uma área em volta do estabelecimento termal, de superfície a determinar. Foram ainda feitos vários contactos, como relatou a funcionária da JF: “Fui eu que telefonei para aquele homem da águas, que era do Sporting... o Sousa Cintra, a pedido do Sr. Abílio, para ver se ele se interessava aqui pelas termas, falei com ele directamente... Mas ele disse-me, delicadamente, que para ele não era um bom investimento, para o capital que precisava de investir.” Ainda acerca do empenhamento do então presidente da junta de freguesia, há um artigo no jornal Público de 3 de Novembro de 1996, com o título “Governador civil de Évora mostra pobreza de Portel – Desempregados esperam obras de Alqueva”, onde, a propósito da suspensão da carreira para S. Bartolomeu de Outeiro e dos problemas da freguesia, se refere que Abílio José Veiga aposta na recuperação das termas, dizendo que “antigamente, vinha aqui gente de todo o lado. Mas como não tínhamos acessos, nem luz nem saneamento básico, as pessoas começaram a procurar outros destinos.... mas as termas são ainda uma fonte de saúde”.

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Alojamentos

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Recortes

Público (local)- 3/11/96 (L.M.) - Governo civil de Évora mostra pobreza de Portel - Desempregados esperam obras de Alqueva - (Destaque: No meio das dificuldades deste isolamento, a freguesia está empenhada num projecto que poderá trazer-lhe algum desenvolvimento: a recuperação das Termas da Galhoteira)

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Bibliografia

Acciauoli: 1937, 1940, 1941, 1942, 1944, 1947, 1948. Bonhorst 1890, Calado 1995,  Contreiras 1937, Correia  1922,  Narciso 1920, Pego  1893, Sarzedas  1907, Torres  1893, Actas- Alocuções - Comunicações 1948, Águas Minerais do Continente e Ilha de S. Miguel 1940,  Águas e Termas Portuguesas 1918, Anuário Médico-Hidrológico de Portugal 1963, CCR Alentejo 1987

http://www.aguas.ics.ul.pt/evora_ganhoteira.html

Editado por José Luís Rocha



publicado por José Rocha às 18:20
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