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cidadeagar

UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA

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UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA

UM POVO DE CORNOS MANSOS?

18.07.12, José Rocha

 

Um dos aspectos mais indignos do programa de austeridade que está a ser imposto aos portugueses é o facto de no discurso de muitos políticos, incluindo estrangeiros, estar presente o pressuposto de que os portugueses, são cornos mansos, uns cobardpolas. Publicamente ninguém o diz, preferem chavões politicamente correctos, dizem que os portugueses são mais compreensivos, mais empenhados, mais responsáveis, mas em privado a palavra que todos usam é cobarde.
 
Há muito que comparando o povo português com outros aparentemente mais aguerridos, como o espanhol ou o grego, se diz que somos mais mansos, mais cobardolas, em suma, que somos cornos mansos. O próprio governo foi bem mais longe do que a troika porque depois de devidamente amedrontado os portugueses aceitam tudo, até aceitam que os enfermeiros com verdadeiras licenciaturas sejam gozados por políticos com falsas licenciaturas e aceitem empregos ou ganham menos do que empregadas domésticas.
 
Não admira que a principal competência do “p”residente da República seja a de dar indicações ao governo sobre se pode ou não meter mais carga em cima do burro. Ao “p”residente da República pouco importa se as medias são ilegais, injustas ou abusivas, o seu papel é ir informando o Gaspar e o Passos Coelho sobre o estado físico do burro de carga que é o povo português. É por isso que vai informando o governo sobre se o burro aguenta com mais alguns fardos.
 
Esta gente confunde calculismo com cobardia e só o vai perceber quando criar uma situação política irreversível, quando o povo perder a paciência e não houver discurso apaziguador que trave a revolta que por agora vai crescendo na alma de cada um. É evidente que é melhor estar empregado do que desempregado, é melhor estar desempregado e receber o subsídio de desemprego do que não ganhar nada, é melhor receber o rendimento mínimo do que nada ter, pior do que tudo isto é estar morto com uma bala que foi disparada para o ar, estar no hospital depois de ter levado um enxerto de porrada no Chiado ou preso na penitenciária por se ter excedido nos protestos.
 
Há quem confunda paciência com cobardia, pragmatismo com mansidão, ignorância com idiotice. A história do povo português deu demasiados exemplos de coragem para que meia dúzia de fedelhos com canudos duvidosos ou doutoramentos em universidades de segunda linha venham promover reengenharias sociais que não foram debatidas por ninguém, que não foram propostas aos eleitores e que a coberto da crise e com o apoio de ocupantes estrangeiros de meia tigela permitam que um obscuro ministro das Finanças decida quem em Portugal pode se empobrecido ou deve ser enriquecido com os milhões tirados aos pobres.
 
Começa a ser tempo desta gente perceber a diferença entre uma frigideira e uma panela de pressão, a primeira faz mais barulho e a segunda ferve a temperaturas muito inferiores e quando se faz ouvir já é impossível tirar a tampa. Cobardes o tanas!